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 Diversidade no mundo dos seguros

 

O crescimento do crédito no mercado brasileiro tem impulsionado outros setores da economia. O segmento de seguros é um bom exemplo disto. O setor faturou R$ 42,1 bilhões (entre janeiro e setembro), expansão de 16,8% sobre o resultado do mesmo período de 2006, segundo a Susep. E não é à toa que as seguradoras estão cada vez mais próximas do varejo, importante canal de distribuição para garantia estendida e prestamista.

A indústria de seguros aposta neste filão de mercado, formatando produtos que tenham prestações que caibam no bolso do consumidor. Diante deste cenário, ao longo de 2007, as seguradoras procuraram adaptar o valor de suas apólices entre R$ 3 e R$ 10 para atingir o público de baixa renda, com prestações acopladas a contas de luz, de telefonia e ao pagamento de compras feitas em lojas e supermercados.

Para Luís Felipe Cozac, diretor-presidente da LuizaSeg, (foto ao lado) o varejo tem grande aptidão para venda de microsseguros. “Os carros-chefe em 2007 foram garantia estendida e proteção financeira, alcançando consumidores de todas as camadas sociais, com destaque nas classes C,D e E. Foram mais de 3 milhões de contratos nestes dois segmentos fechados na LuizaSeg”, diz.

A perspectiva para 2008, na sua avaliação, é de um movimento ainda maior. “A tendência de ofertar produtos dentro das lojas é um mecanismo bem sucedido, pois abordamos o consumidor em um dos momentos mais felizes da vida, quando ele está comprando um bem desejado. A venda, neste aspecto, é mais assertiva. Prova de que a união seguradoras/varejo é promissora é a formação da própria LuizaSeg, joint-venture criada pela Cardif e Magazine Luiza”, avalia.

Outro varejista que aposta firme neste segmento é a Lojas Renner. A rede iniciou venda de seguros em suas lojas, focados nas modalidades desemprego (para quem contratou empréstimo pessoal) e perda e roubo do cartão da loja em parceria com a Porto Seguro. Apesar de recentes, as vendas parecem promissoras, assim como outros produtos na prateleira de serviços financeiros.

O diretor Administrativo e de Relações com Investidores da Lojas Renner, José Carlos Hruby (foto ao lado) comenta que “para 2008, a previsão é que o resultado de serviços financeiros (empréstimo pessoal, título de capitalização, seguros, condição 0+5 sem acréscimo e 0+8 com acréscimo nos cartões) atinja 25% do EBITDA, uma vez que as variáveis macroeconômicas sinalizam a permanência de estabilidade, com oferta crescente de crédito. Além disso, os serviços financeiros, que em 2006 estavam em processo inicial de implantação, entrarão na fase de maturação, com maior geração de receitas".

Impulsionada pela baixa renda, a Marsh Affinity também aposta em expansão dos seguros massificados. Em 2000, este segmento dentro do grupo representava 5% do faturamento, agora, já alcança 30%. A empresa tornou-se especialista em seguros para cartões de crédito, que protegem, por exemplo, contra perda e roubo do plástico. Segundo Marcelo Teixeira, diretor comercial da Marsh Affinity, 2008 será o ano da otimização do varejo como importante canal de vendas através da oferta de produtos complementares e combinados.

“Os produtos de proteção ao crédito e garantia estendida continuarão em destaque, mas produtos como renda hospitalar, capitalização e acidentes pessoais alavancarão os resultados”, prevê. O executivo destaca que o maior desafio do segmento será comunicar-se de forma eficaz com o público-alvo, já que o mesmo receberá ofertas de vários canais diferentes (financeiras, bancos, administradoras de cartões, supermercados, lojas, empresas de energia elétrica, entre outras).

Inovação e criatividade

A combinação destes dois aspectos tem sido fundamental para garantir novos clientes. Neste caminho, segue a Aon Affinity: a empresa iniciou na rede Paquetá, no sul do País, venda de seguros para o consumidor que compra sapatos. Assim, o seguro garante o pagamento das prestações em caso de morte ou invalidez do titular. Já a ACE Seguradora aposta em apólices para celulares, com cobertura para furto qualificado de aparelhos; e a Porto Seguro investe no ramo de notebook e palmtop.

E a diversidade de produtos caminha lado a lado com os varejistas. Esta é uma tendência mundial. A Cardif fechou parceria com a rede City Lar para vender seguro de vida e auxílio funeral e com a Farmácias Fleming (PR) para venda de seguros populares de acidentes pessoais. Para expandir ainda mais sua atuação, a empresa criou uma nova companhia no Brasil, a Cardif Garantia. Ela estará dedicada aos ramos elementares e garantia estendida, com a idéia – também – de entrar no mercado residencial e de perda e roubo de cartão.

O seguro popular parece mesmo ser aposta para novos negócios, inclusive para a atuação dos bancos no segmento. A Itaú Seguros, por exemplo, dará ênfase ao seguro residencial para este público consumidor. Já o HSBC tem como meta dobrar a participação da área de seguros dentro do grupo. Hoje, os produtos contribuem para 10% dos lucros mundiais do banco. O foco será em seguro de vida, planos de previdência e seguros de crédito.

A Nossa Caixa Mapfre, por sua vez, inovou ao lançar um seguro prestamista voltado às operações de cheque especial, além de criar um cartão de crédito sem anuidade e com vantagens para os usuários. A principal delas é o acúmulo de milhas que podem ser convertidas em descontos na renovação das apólices. O produto tem parceria com o banco Ibi.

Tendências

A América Latina virou a bola da vez para o setor de seguros. Companhias americanas e européias já começaram um movimento de expansão em alguns países e o Brasil é onde este movimento tem mais força. Especialistas já projetam Ofertas Públicas Iniciais de Ações (IPO) das seguradoras de grandes bancos nacionais como Bradesco e Itaú, iniciativa esperada para o segundo semestre de 2008.

Há duas questões estimulando as ofertas de ações das seguradoras: a primeira é a ampliação da concorrência no setor através de novas seguradoras entrando ao mercado nacional. A segunda é a continuidade da queda da taxa Selic, o que exige maior segmentação por parte dos conglomerados bancários.

De olho nesta tendência, seguradoras já garantem empresas que fazem IPOS. O crescimento do número de empresas que abriram o capital ampliou o risco dos investidores e fez surgir um novo produto no mercado de seguros: seguro de responsabilidade civil para IPOs. O novo produto garante à empresa emissora das ações a cobertura dos riscos caso os investidores busquem indenizações em processos na Justiça por prejuízos sofridos no mercado de capitais.

Nesta direção seguem quatro seguradoras: A Zurich Brasil Seguros (única a oferecer um seguro exclusivo para IPOs), Unibanco AIG, Bradesco Seguros e Chubb, as três inseriram cláusulas especiais para cobrir riscos de ofertas de ações nos seguros D&O ("directors and officers liabilities").

Ainda como perspectiva para o setor, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) pretende criar um banco de dados com informações sobre os segurados. A idéia é permitir que cada consumidor tenha uma senha própria de acesso que poderá ser utilizada para fazer cotação de seguros. A medida ajudaria na precificação.

Também o comitê de Seguros da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net) propõe que as seguradoras passem a utilizar apólices digitais certificadas pelo ICP-Brasil (Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira). A medida proporcionaria economia de R$ 550 milhões/ano.

Fonte www.partnerreport.com.br - Por Heloisa Valente * Matéria produzida para a revista Cardmedia, Edição número 13

23/01/2008

 

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