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MORTGAGES LANÇA 'SEGUNDA HIPOTECA'
A companhia hipotecária Brazilian
Mortgages iniciou no mês passado a operação de concessão de crédito imobiliário
para o varejo. Além do empréstimo para aquisição do imóvel, com prazos de até 30
anos, a empresa lançou também a linha de refinanciamento de até 50% do valor da
casa, nos moldes da segunda hipoteca americana.
Neste caso, os recursos são liberados para o proprietário com prazo de até 10
anos e taxas de 1% ao mês, usando o imóvel como garantia real por meio da
alienação fiduciária. "É uma opção para a compra da segunda casa ou para trocar
o imóvel por um maior", diz o diretor da BM Sua Casa, empresa do grupo
responsável pela operação, Elyseu Mardegan.
As operações são feitas em lojas de rua, no estilo das financeiras. "Sentimos
uma lacuna nessa conveniência de ter um lugar onde que só falasse de crédito
imobiliário e que atendesse as necessidades do cliente". A primeira já está
operando e outras nove devem entrar em funcionamento até o fim do ano.
"Nossa metas são agressivas e estamos fechando uma parceria com um dos maiores
varejistas para oferecer nossos produtos", diz sem revelar números. A companhia
oferece ainda crédito para construção, reforma e compra de imóvel comercial.
O público alvo da BM Sua Casa são famílias de classe média baixa, para financiar
imóveis a partir de R$ 20 mil. Este é um mercado que não é atingido pelos
bancos, mas que inclui a maior parte do déficit habitacional brasileiro (oito
milhões de unidades). "Nós não olhamos apenas a comprovação de renda, mas a
capacidade de pagamento do cliente, avaliando outras contas, como o cartão de
crédito, o aluguel, o automóvel", explica.
Todos as financiamentos seguem o modelo do Sistema Financeiro Imobiliário, ou
seja, não usam como funding os recursos da poupança, mas sim captações no
mercado via emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). A
principio, a companhia opera com recursos próprios, mas pretende securitizar a
própria carteira para alavancar os negócios. "A idéia é gerar recursos
securitizáveis".
Esse mercado ainda não se desenvolveu completamente no Brasil. Uma das
justificativas é a exigibilidade de destinação de 65% dos recursos da poupança
para o financiamento imobiliário, limitando o funding e concentrado os
recebíveis na mão dos grandes bancos.
No ano passado, as emissões de CRI ficaram em R$ 1 bilhão e neste ano já estão
em R$ 860 milhões, incluindo operações ainda em análise pela Comissão de Valores
Mobiliários. A companhia faz parte do grupo líder no mercado de recebíveis,
tendo iniciado recentemente o processo de emissão de uma securitização de CRI de
parte da carteira de crédito imobiliário do Banco Real, no valor de R$ 86
milhões.
Fonte jornal Valor Econômico - Fernando Travaglini
09/07/2007
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