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 Seguradoras voltam a investir em vida

O seguro de vida voltou a atrair o interesse de investidores depois que a regulamentação do segmento foi totalmente reformulada e a abertura do resseguro passou a ser uma realidade no dia-a-dia das companhias. Os mais novos concorrentes neste setor, até pouco tempo atrás dominado por seguradoras ligadas a bancos, são as seguradoras sem vínculos bancários, como os grupos ACE, das Bermudas, o alemão Allianz, representado pela AGF, e a brasileira Marítima.

Antonio Carlos Pedrotti, diretor que irá comandar a área de vida da ACE, calcula que o segmento vida tem uma fatia de 10,8% do mercado brasileiro de seguros ou o equivalente a 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Vida corresponde a 0,9% do PIB na Argentina, 0,88% no México, 4,5% nos Estados Unidos, 6,6% na França e 8,7% no Japão. "Isso deixa claro o tamanho da oportunidade que temos", diz Pedrotti, citando a participação do segmento em outros países como referência do potencial brasileiro. O investimento da ACE para montar a operação de vida brasileira foi de US$$ 2 milhões até agora. Em 2008, o orçamento prevê outros US$$ 4 milhões, informa Pedrotti.

O interesse dos grupos não é só no Brasil ou na América Latina, onde a penetração de seguros no Produto Interno Bruto (PIB) é baixa. Por ser um produto rentável e de longo prazo, o seguro de vida é um desejo entre as seguradoras do mundo todo.

Nos Estados Unidos, por exemplo, um mercado com vendas já saturadas, foi criado o mês da Conscientização do Seguro de Vida (Life Insurance Awareness Month, LIAM, no original, em inglês), em setembro. O objetivo é esclarecer a população sobre a importância de se contratar um seguro de vida. Segundo dados da Limra, entidade voltada a pesquisas neste segmento, a maioria dos americanos não está devidamente coberta pelo seguro de vida. O problema é ainda mais sério no caso da população de origem hispânica, onde apenas 36% das famílias têm esse tipo de cobertura, percentual que sobe para 54% no restante da sociedade.

No Brasil, o seguro de pessoas engatinha. Movimentou prêmios de R$ 6 bilhões entre janeiro e julho deste ano, evolução de 14% segundo os últimos divulgados pela (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). O prestamista, que quita a dívida em razão da morte do titular, é o que mais tem crescido, com percentuais acima de 50%. Ele tem sido estimulado pela expansão de crédito dos bancos. Neste ano, os prêmios do seguro prestamista ultrapassaram R$ 1 bilhão até julho, alta de 53%. Em segundo lugar entre os mais vendidos vêm os seguros de acidentes pessoais (coletivo), com alta de 26,97%, com R$ 803,5 milhões.

No entanto, com o interesse das resseguradoras de vida e previdência em atuar no Brasil, vários nichos tendem a crescer, desde seguros mais sofisticados para milionários, que hoje contratam apólices no exterior, como para as classes D e E. Em recente palestra sobre microsseguros, Antonio Cássio dos Santos, presidente da Fenaprevi e das empresas do grupo Mapfre no Brasil, disse que o número de corretores poderia triplicar se fosse criada a figura do microcorretor de seguros.

"É importante que a pessoa que vende o microsseguro provenha da mesma origem de quem compra, pois é necessário a identificação de linguagem e cultura.- Segundo ele, o microsseguro caminha junto com o microcrédito, tirando a família da linha de pobreza. "Em caso de infortúnio do tomador dos recursos, a família não volta para a linha de pobreza, pois a dívida é quitada e o bem adquirido permanece".

De acordo com dados colhidos com várias entidades interessadas no desenvolvimento de microsseguros, acredita-se que no mundo há 4 bilhões de pessoas com renda anual inferior a US$$ 3 mil. Elas têm um potencial de consumo de US$$ 5 trilhões, sendo US$$ 509 bilhões na América Latina. No Brasil, são 100 milhões de pessoas, com capacidade de consumo de US$$ 170 bilhões.

No Brasil, as apólices vendidas no varejo, nas contas de serviços de utilidades (luz, água, gás etc.), onde a ACE domina, atreladas a compra de bens e aos financiamentos, poderiam ser rotuladas de microsseguros. "Seguros com valor mensal inferior a R$ 10 fazem parte do perfil de microsseguros", explicou Santos.

Poder comprar resseguro livremente tem estimulado o lançamento de novos produtos. A corretora Umbria e a HSBC Seguros colocaram no mercado um novo produto que promete reduzir pelo menos um dos motivos do estresse de quem viaja de avião: deixar os dependentes financeiros amparados.

Trata-se do Voe Seguro, com cobertura de R$ 1 milhão para o beneficiário do segurado que perder a vida ou ficar inválido em um acidente aéreo. O custo para uma viagem ida e volta é de R$ 17,90, seja São Paulo-Rio ou São Paulo-Hong Kong. É possível comprar um pacote com cobertura mensal para todas as viagens por R$ 27,90.

Fonte Gazeta Mercantil
Última atualização ( 03-Dec-2007 )

 

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