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Banco
do Brasil avança sobre os concorrentes
A decisão de deixar de
fora o Banco do Brasil (BB) da suspensão do crédito consignado a servidores
federais dará ao gigante estatal mais uma chance de avançar sobre os
concorrentes. O banco divide com a Caixa (que também ficou de fora da suspensão)
o pagamento dos servidores e o direito de dar o crédito, mas outros bancos
credenciados junto ao governo podiam conceder crédito enviando um "comando" para
desconto junto às instituições pagadoras. Para alguns analistas e concorrentes,
o governo privilegiou os estatais com a medida.
Nos últimos meses, o BB vem sendo beneficiado pela incorporação de bancos
estatais federalizados e a conquista de folhas de pagamento de estados sem
leilão. Ao mesmo tempo, vem agindo com mais agressividade para crescer, entrando
no crédito imobiliário e financiamentos de veículos. "O BB também vem fazendo
ofertas irrecusáveis a pequenas e médias empresas", diz o diretor de um banco
concorrente, que preferiu não se identificar.
Procurado, o BB informou, pela sua assessoria de imprensa, que não pode se
pronunciar por estar em período de silêncio devido à oferta pública de ações em
curso. Mas seu presidente, Antonio Lima Neto, disse na semana passada em Belo
Horizonte que seria uma omissão assistir ao crescimento de outros bancos,
inclusive estrangeiros, sem fazer nada para manter a liderança de 200 anos.
No caso da incorporação do Banco de Santa Catarina (Besc), o negócio é
inconstitucional, segundo o Bradesco. O banco venceu no ano passado um leilão
para assumir a folha de pagamento dos funcionários catarinenses. O lance foi de
R$ 210 milhões - o BB agora pagou R$ 250 milhões pelo banco e pela folha. O
presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, lembra que o BB é uma empresa de
economia mista (o controle é do governo, mas tem ações nas mãos de investidores
privados) e que para comprar bancos públicos deve concorrer com outros bancos,
segundo direito assegurado pelo artigo 19 da Medida Provisória 2.191, de 2001.
"Por esse preço, o Bradesco também compraria o banco", diz.
O Bradesco também foi prejudicado com a venda da folha dos 250 mil funcionários
da Bahia ao BB - o serviço era prestado pelo Bradesco desde 1999, e foi renovado
até 2009 quando comprou o Banco da Bahia, em 2004. O BB também ganhou a folha de
pagamento dos 542 mil funcionários de Minas Gerais, que estava com o Itaú.
Procurado, o banco preferiu não se pronunciar. Em troca da folha, o BB deve
investir R$ 266 milhões em obras de infraestrutura em Minas.
O BB também já anunciou a intenção de comprar o Banco do Piauí (BEP) e do Banco
de Brasília (BRB). Neste último caso, o interesse é na clientela de alta renda e
na carteira de crédito imobiliário.
Fonte jornal Gazeta Mercantil - Léa De Luca
Última atualização ( 23-Oct-2007 )
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