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 Menor crescimento do crédito

 

O aumento do crédito em setembro, de 1,4%, se mostrou menos acentuado do que no mês anterior, mesmo assim o crédito representou 33,1% do PIB, ante 33% em agosto.

O fator que mais influi no menor ritmo de expansão do crédito, seguramente, foi a retração dos bancos estrangeiros, cujas operações cresceram apenas 0,7%, reflexo da crise do “subprime” nos EUA que, ao contrário do que se afirma, teve alguns efeitos negativos no Brasil. Os empréstimos com recursos internos cresceram 2,3%, enquanto os lastreados em recursos externos diminuíram 1,9%. Tudo indica, todavia, que essa retração não se deverá prolongar. Houve também um crescimento menor do crédito direcionado e, finalmente, um recuo do crédito consignado, com expansão de 1,6%, ante 2,3% em agosto. Neste caso, parece que o aumento da inadimplência levou as instituições financeiras, especialmente as públicas, a serem mais prudentes na abertura de novos créditos.

Se o ritmo do crescimento foi menor, verifica-se que o volume do crédito continua aumentando. Como nos meses anteriores, o aumento para as pessoas físicas é maior do que para as pessoas jurídicas: 1,7%, ante 1,4%.

A redução das taxas de juros explica certamente o aumento do crédito: para as pessoas jurídicas, a taxa média passou de 23,1% para 23,2% e para as pessoas físicas, de 46,6% para 46,3%. São ainda taxas muito elevadas para a atividade econômica. Nas operações de capital de giro, a taxa de juro ficou em 27,9%, muito superior ao que se pode esperar como retorno das vendas. No caso das operações de crédito pessoal, as taxas ficaram em 49,9% ao ano e o efeito disso é a redução das disponibilidades das famílias.

Mesmo levando em conta que o crédito para aquisição de veículos está com taxa de juros de 28,6% ao ano, em razão da maior garantia oferecida, a expansão das vendas de carros nos últimos meses contribuiu para um forte aumento do endividamento das famílias. Isso explica por que a inadimplência, no crédito livre para pessoas físicas, está em 7,1% do volume de operações.

Os dados de setembro não refletem ainda a decisão das autoridades monetárias, que, na última reunião do Copom, mantiveram a taxa Selic. Curiosamente, depois dessa decisão, verifica-se agora um aumento das taxas de juros praticadas, pois as instituições financeiras se haviam acostumado com a idéia da redução progressiva da Selic - o que torna mais provável uma elevação da inadimplência.

Fonte Jornal O Estado de São Paulo

24/10/2007
 

 

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