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SÃO PAULO - Embora existam no mercado diversos planos de previdência privada que
associam a acumulação de recursos do participante a objetivos relacionados com
educação, como cursos no exterior, ou complementação de renda, a decisão sobre o
destino a ser dado ao dinheiro após o resgate cabe exclusivamente ao titular do
plano.
A flexibilidade existe porque os objetivos podem mudar ao longo do tempo e os
recursos acumulados para o pagamento da faculdade do filho, por exemplo, podem
ser direcionados para a compra de um imóvel no campo ou na praia.
Outra razão, anterior à primeira, é que os recursos que ingressam em um plano de
previdência privada não são "carimbados" para uso com um propósito específico.
A título de comparação, é a diferença que existe hoje quando uma pessoa toma um
empréstimo pessoal, sem explicitar a finalidade que dará ao dinheiro,
diferentemente do financiamento imobiliário ou de um automóvel, em que os
recursos têm uma destinação certa: a conta corrente do vendedor do imóvel ou do
carro.
No caso do empréstimo pessoal, por exemplo, a taxa cobrada é superior à dos
financiamentos imobiliários e de automóveis. A razão é que no crédito pessoal
não existem garantias reais, como uma casa ou um carro.
Atualmente, os recursos que ingressam em um plano de previdência privada,
independentemente da finalidade prevista por quem o faz, têm tratamento
idêntico, de acordo com o regime tributário escolhido - alíquota regressiva ou
progressiva.
No primeiro caso, a alíquota para resgates começa com 35% e vai caindo 5 pontos
porcentuais a cada dois anos, até o limite de 10%. No segundo caso, o teto é
estabelecido em 27,5%.
Haverá, ainda, tratamento tributário diferenciado se o participante optou por um
Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL), mais indicado para quem declara o
Imposto de Renda (IR) no formulário completo, pois até 12% da renda anual pode
ser usada nesse plano para reduzir a base de cálculo. Ou o Vida Gerador de
Benefícios Livres (VGBL), mais indicado para o formulário simples, pois só os
rendimentos são tributados no resgate.
Ganho de escala
Na opinião de Antonio Cássio dos Santos, presidente da Federação Nacional de
Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), um tratamento tributário distinto, de
acordo com a destinação que será dada aos recursos da previdência,
possibilitaria um ganho de escala significativo no setor, com a oferta mais
ampla e diversificada de produtos. Ele adianta que o assunto está em negociação
entre a Fenaprevi e Susep (Superintendência de Seguros Privados), mas ainda em
fase inicial.
Segundo o executivo, a eventual ampliação da linha de produtos seria acompanhada
de planos com depósitos mais baixos, possibilitando a inserção de uma parcela
maior da população no mercado de previdência.
Esse tipo de efeito já foi constatado no segmento de seguro de vida individual,
que deve apresentar em 2007 um crescimento da ordem de 17%. Embora esse aumento
seja inferior ao da previdência privada, que deve crescer entre 24% e 25%, a
diferença está no número de participantes em cada segmento.
O mercado de previdência privada reúne hoje aproximadamente 7 milhões de
participantes, ante 40 milhões em seguro de vida. Pesa a favor do seguro de vida
o fato de, além de ser um produto mais antigo, ao longo dos anos diversos
sindicatos de trabalhadores incorporaram o produto na pauta de reivindicações, o
que ainda não ocorre de forma maciça com a previdência privada.
Claro que ainda há espaço para o seguro crescer, mas, como a base é maior, os
porcentuais tendem a ser mais modestos. Já no caso da previdência privada, as
possibilidades de expansão são bem maiores, levando em conta principalmente o
tamanho da base atual. Para tanto, a oferta de produtos diferenciados é
fundamental.
29/11/2007
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