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Brasília,
o Eldorado dos Bancos
O mercado financeiro de Brasília está fervilhando. Com cerca de 10% de sua
população, mais de 200 mil pessoas, recebendo salários mensais acima de R$ 20
mil, a capital do país fez com que bancos e corretoras de valores desviassem o
foco do eixo Rio de Janeiro—São Paulo para fincar raízes por aqui. O interesse
ficou maior depois que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) informou que o
brasiliense mostrou um apetite incomum para investimentos em ações. Nos últimos
três anos, o número de moradores do Distrito Federal operando no pregão paulista
aumentou 341%, bem acima da média nacional, de 291%. O DF já é o sétimo maior
mercado do Brasil em investidores pessoas físicas que, dia sim, outro também,
compram e vendem papéis na Bovespa.
O mais novo ator na disputa pelo brasiliense é o Banco Fator, que chegou à
capital federal de mansinho, há pouco mais de dois anos, por meio de uma
corretora que carrega o seu nome. Na próxima terça-feira, a instituição dá o
pontapé para abrir, aqui, sua primeira filial na região Centro-Oeste. “Vamos
consolidar nossa posição em Brasília. É um mercado de risco muito baixo quando
comparado à média do país”, diz Valderi Albuquerque, diretor regional do banco.
“Lidaremos com um público especial, o servidor público, que tem estabilidade de
emprego e renda bem acima dos demais trabalhadores”, destaca. A meta do Fator
não é ser a principal instituição dos potenciais clientes. “Como banco de médio
porte, altamente especializado, faremos um serviço complementar. Vamos oferecer
investimentos personalizados para pessoas com poupança acima de R$ 50 mil”,
explica. “Com a queda das taxas de juros, para ganhar dinheiro é preciso
enfrentar riscos. E isso exige conhecimento”, assinala.
As pessoas físicas são, porém, apenas um dos pilares da estrutura montada pelo
Fator em Brasília. “Também daremos apoio às empresas locais que desejam abrir o
capital e lançar ações em bolsa. E, claro, estreitaremos as relações com os
fundos de pensão. Das 14 entidades com sede na capital e patrimônio superior a
R$ 100 bilhões, queremos pelo menos cinco na nossa lista de clientes”, avisa
Albuquerque. “Neste primeiro ano em Brasília, pretendemos triplicar a base de
clientes da corretora, hoje de 300 pessoas, e captar pelo menos R$ 100 milhões
em fundos de investimento”, ressalta.
Entre os grandes bancos, a movimentação por uma fatia maior do mercado é intensa
e tende a ficar ainda maior com a decisão do presidente Lula de liberar as
instituições privadas a concederem crédito consignado (com desconto em folha)
para o funcionalismo. O HSBC abriu, na semana passada, sua segunda agência
Premier Centre em Brasília, para atender o público de alta renda. O ponto foi
cravado na área mais nobre da capital federal, o Lago Sul. Em breve, será a vez
de o Sudoeste entrar no mapa da instituição. “Há muita gente, com renda elevada,
fixando residência em Brasília. E o Sudoeste está recebendo grandes
empreendimentos e tem uma população com um poder de compra considerável”,
assinala. O HSBC tem cinco agências na capital e atende 46 mil clientes, dos
quais 5 mil com renda mensal superior a R$ 8 mil (ou R$ 5 mil, se tiver
investimentos de mais de R$ 50 mil).
No Bradesco, conta Odair Rebelato, diretor-executivo da instituição, os planos
são de abrir 10 agências no DF neste ano, uma delas com a bandeira Prime, para a
alta renda. Mas o foco principal do banco será o entorno de Brasília, onde está
a base da pirâmide social — as classes D e E —, que tem sido muito beneficiada
pelo firme crescimento econômico do país. “Já estamos bem posicionados junto ao
público de renda elevada. E isso não quer dizer que não estaremos atentos a esse
mercado. Mas é na base que identificamos um forte potencial. Queremos ser o
primeiro banco desse público que está entrando no mercado”, diz.
Fator BRB
Com as instituições privadas tão ativas, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica
Federal reforçam as estratégias para manter as privilegiadas participações que
têm no mercado brasiliense. O BB, particularmente, está jogando pesado para
assumir o controle do BRB, o Banco de Brasília, que será vendido pelo governo
local. Com 800 mil clientes na capital e mais de R$ 2 bilhões em crédito
liberados no ano passado para a região, o Banco do Brasil acredita que, com o
BRB, se distanciará muito dos concorrentes, sobretudo porque ampliará em quase
200 mil a base de correntistas-servidores.
Na Caixa, conta o superintendente para o Distrito Federal, Elício Amaral, está
em fase final um estudo para redimensionar o tamanho da instituição na capital.
Uma coisa, porém, está certa: o banco oferecerá este ano R$ 1 bilhão aos
moradores do DF para o financiamento da casa própria e para obras de
infra-estrutura urbana — quase 50% a mais do que em 2007.
Entre as corretoras, a Ativa desembolsou R$ 250 mil para triplicar a estrutura
de atendimento aos investidores do mercado de ações. “Estamos operando em dois
andares, com salas para o público, mesa de operação e auditório para palestras,
pois precisamos educar a clientela, o que ajuda a reduzir os riscos das
aplicações”, conta Cássio Corrêa, gerente comercial da Ativa. Na Ágora
Corretora, que tem 4,2 mil clientes em Brasília, dobrou o número de consultores.
“O DF já é nosso quinto mercado e responde por 6% dos negócios da Ágora”, revela
o gerente comercial, Hélio Pio.
Fonte jornal Correio Braziliense - Vicente Nunes e Edna Simão
10/03/2008
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