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Governo
anuncia reajuste para quase 800 mil servidores públicos
Reajustes serão implementados por meio de MP a ser enviada ao Congresso.
Segundo Planejamento, aprovação do orçamento era necessária para reajustes.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, informou nesta quinta-feira (13) que
será enviada uma Medida Provisória ao Congresso Nacional para reajustar os
salários de quase 800 mil servidores públicos federais.
A estimativa do Executivo é de gastar cerca de R$ 2,1 bilhões com estes
reajustes neste ano. "Tínhamos feito acordos que estão sendo mantidos, mas
renegociamos com todas estas categorias os prazos, que ficaram compatíveis com
as condições que temos no orçamento", disse Bernardo.
MP e aprovação do orçamento
A confirmação dos reajustes só foi possível, segundo informou o Planejamento,
por conta da aprovação, na noite desta quarta-feira (12), do orçamento federal
pelo Congresso.
No fim do ano passado, o governo federal suspendeu temporariamente a concessão
dos reajustes já negociados por conta do fim da Contribuição Provisória Sobre
Movimentação Financeira (CPMF). Na ocasião, informou que teria de fazer ajustes
para compensar o fim do tributo, o que foi feito com a elevação do IOF e da CSLL
dos bancos, e verificar o comportamento da arrecadação neste início de ano - que
veio bem forte.
O governo pedia, na proposta orçamentária enviada ao Congresso Nacional, cerca
de R$ 5,5 bilhões para reajuste dos funcionários públicos, valor que foi baixado
para R$ 3,5 bilhões pelos parlamentares durante a tramitação do orçamento. Nesta
primeira rodada de negociações, foram "usados" R$ 2,1 bilhões, restando cerca de
R$ 1,4 bilhão para as categorias ainda em negociação.
Segundo o Ministério do Planejamento, o fato de os reajustes estarem sendo
propostos via MP, atualmente muito criticadas pelo Congresso Nacional, deve-se à
necessidade de "urgência" para inclusão dos valores na folha de pagamentos de
março.
Questionado se o envio de uma nova MP ao Congresso Nacional neste momento não
tornaria a relação entre os poderes mais tensa, Bernardo afirmou estar atento a
isto. "Neste caso, tomamos o cuidado de negociar com todos os grupos para fazer
uma única Medida Provisória abrangendo 11 categorias e quase 800 mil servidores.
É justificável. A gente consegue dialogar com os congressistas e mostrar a
importância disto", afirmou ele.
Categorias contempladas
Entre as categorias contempladas com os reajustes estão: professores das
instituições federais de ensino, administrativos da Polícia Federal, Incra,
Hospital das Forças Armadas, Agentes de Combate a Endemias, Ministério da
Cultura, Técnicos Administrativos em Educação, PGPE (Plano Geral de Cargos do
Poder Executivo), Previdência Social, Saúde e Trabalho e fiscais federais
agropecuários.
Negociações em curso
Não foram incluídos, nesta primeira tratativa de reajuste, as seguintes
categorias: militares, Banco Central, Meio Ambiente, Funai, Receita Federal,
Dnit, Datasus, AGU, Ciência e Tecnologia, Imprensa Nacional e FNDE, entre
outros. Bernardo informou ter cerca de R$ 1,4 bilhão para estas negociações.
"Todos eles [outras categorias] estão sendo tratados. Estamos fazendo reuniões,
mas não tem previsão [de solução] ainda. Há alguns casos onde o pessoal fica
muito resistente na negociação e é absolutamente normal. Não tenho como fazer
uma previsão de quando vamos fazer um acordo", disse o ministro do Planejamento.
Assim como nas categorias já contempladas, Bernardo afirmou que os prazos dos
reajustes, para as categorias ainda em negociação, deverão se estendidos.
"Estamos jogando os prazos para diante e só vamos fechar em um momento em que
eles aceitem condições compatíveis com as novas condições do orçamento", disse
ele.
Novos reajustes
Bernardo aproveitou ainda para dizer que esta seria a última rodada de reajustes
para os funcionários públicos deste segundo mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. "Não temos previsão de fazer nenhum novo aumento como esse até
2010", disse ele. Os reajustes já confirmados são, em sua maioria, escalonados,
ou seja, com percentuais de aumento em 2008, 2009 e 2010.
Fonte G1 - Alexandro Martello
14/03/2008
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