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Só
43% dos adultos usam banco no país, diz estudo
Apesar da expansão da renda e do crédito na economia e dos sempre crescentes
lucros bilionários dos bancos no Brasil, o acesso aos serviços bancários ainda
está restrito a apenas 43% da população adulta do país.
A informação consta de um estudo da Felaban (Federação Latino-Americana de
Bancos), que pretende aprofundar a pesquisa para criar, até o fim do ano, um
índice mais completo e confiável sobre a bancarização na região. Inicialmente,
serão contemplados cinco países, possivelmente Brasil, Colômbia, Equador, Peru e
Venezuela.
O objetivo é mensurar não apenas dados quantitativos, mas também qualitativos.
Além de informações como o número de contas correntes, agências e caixas
eletrônicos em relação ao total da população, será considerada também a
sustentabilidade desse acesso, com base nos marcos regulatórios e no ambiente
institucional de cada país.
"A bancarização está na agenda da América Latina, mas ainda existem poucas
informações sobre o assunto", explica a pesquisadora Liliana Rojas, responsável
pelo estudo. Os dados existentes, no entanto, são suficientes para concluir que
a inclusão financeira ainda é baixa no continente.
Com base no indicador preliminar de acesso da Felaban, nenhum dos países
pesquisados pode ser considerado com alto grau de bancarização. O Chile --onde
se estima que a penetração dos serviços financeiros chegue a 60% da população
adulta-- é o país com o melhor desempenho na região, podendo ser considerado com
"nível médio de acesso". O Brasil fica na categoria de baixo a médio acesso, ao
lado de Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Panamá, Uruguai e Venezuela.
Segundo Rojas, o problema atinge também as micro, pequenas e médias empresas,
que têm dificuldades para obter crédito. A pesquisadora explica que os
principais obstáculos ao acesso são de ordem social e regulatória, além da
própria falta de preparo dos bancos para atender aos potenciais clientes.
"No Brasil, os obstáculos sociais são incrivelmente importantes", diz. Entre
esses empecilhos, estão a informalidade e a falta de cultura financeira. No
âmbito regulatório, pesam a alta carga tributária que incide sobre o sistema
bancário, a maior da região, e a ineficiência burocrática, que supera a
corrupção nas queixas dos bancos.
Segundo Rojas, os altos depósitos compulsórios também desestimulam os
empréstimos para o setor privado e levam os bancos a priorizarem títulos
públicos. "Se a situação internacional piorar, e a aversão ao risco aumentar,
esses papéis podem se deteriorar, deteriorando também a qualidade dos bancos",
avaliou.
O diretor-geral da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Wilson Roberto
Levorato, reconheceu que a inclusão da baixa renda no sistema bancário é um
desafio para a instituição. Ele destacou, no entanto, que iniciativas como a
implementação de correspondentes não-bancários e a expansão do crédito
consignado têm contribuído para o maior alcance dos serviços.
Segundo ele, em 2007 houve um aumento de 10,1% na rede de atendimento dos bancos
sobre 2006, puxado principalmente pelo incremento de 15,5% no número de
correspondentes. Já a relação crédito/PIB passou de 30,7% para 34,7% no mesmo
período. "Houve crescimento principalmente para a pessoa física, com forte
participação do crédito consignado", explicou.
04/04/2008
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