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 GE MONEY pode fazer parcerias e aquisições para crescer no Brasil


Aumentar a presença no mercado, se necessário com o estabelecimento de alguma parceria com um banco local, ou até uma aquisição, foi a mensagem que William Cary, novo presidente da GE Money, deixou segunda-feira em sua visita de doze horas ao Brasil.

Nomeado presidente da GE Money em fevereiro, Cary realizou a primeira visita ao país no cargo e fez jus ao apelido de "high flying executive": veio da Europa no jatinho da empresa para São Paulo, onde passou o dia ; à noite voou para Buenos Aires. No dia seguinte foi para a Colômbia e daí para os Estados Unidos, onde ficará uma semana, antes de voltar a Londres, nova sede da empresa desde fevereiro.

A GE Money entrou no mercado brasileiro há dez anos, ao comprar o Banco Mappin e a financeira Mesbla, de olho no financiamento ao consumo das duas poderosas redes de varejo, que vendiam juntas US$ 1 bilhão na época, 60% financiados. As empresas quebraram. A GE resolveu então recomeçar do zero, tarefa desempenhada pelo checo Ivan Svitek, que trabalhava na Europa e assumiu as operações brasileiras em 2003.

Cary elogiou o trabalho de Svitek ao mudar o mix da carteira para produtos de melhor qualidade, com garantia. Atualmente, 80% da carteira de crédito, que fechou 2007 em R$ 1,8 bilhão, são linhas com garantia, como o consignado e o financiamento de veículos; e o restante são operações de crédito pessoal e crédito direto ao consumo (CDC).

Svitek também construiu uma rede de lojas próprias, atualmente com 95 pontos, que Cary pretende ampliar dada a dimensão do país. E, há menos de dois anos, iniciou uma carteira de cartões, atualmente composta por cerca de 200 mil plásticos, incluindo produtos para o consignado de aposentados e funcionários da ativa, do setor público e privado, lojas e com bandeira (Visa e MasterCard).

Aos poucos, as receitas começam a superar os investimentos. O prejuízo de R$ 62,8 milhões em 2006 foi reduzido a R$ 12,3 milhões em 2007. Mas o que incomoda mesmo Cary é o porte ainda acanhado da empresa.

Ser o 51º maior banco do mercado é pouco para a GE Money, uma das maiores do financiamento ao consumo do mundo. Criada na grande depressão americana para financiar a venda dos eletrodomésticos da General Eletric, a GE Money tem ativos totais de US$ 211 bilhões, opera em 55 países e teve lucro de US$ 4,3 bilhões em 2007.

A GE Money conseguiu sair cedo da crise do subprime e vendeu os ativos hipotecários no início do segundo semestre de 2007. Isso não foi difícil, disse Cary, porque as operações eram pequenas. Os ativos fora dos Estados Unidos não apresentaram deterioração, acrescentou. Mas, Cary acredita que os problemas da economia americana terão impacto no financiamento ao consumo globalmente.

Os analistas internacionais têm notado o que chamam de "mudança do centro de gravidade" da GE para fora dos Estados Unidos. Em 2007, pela primeira vez o faturamento global da empresa superou o registrado nos Estados Unidos. Duas das seis divisões da GE têm sede em Londres e respondem por cerca de 25% das vendas anuais. A mais recente a mudar foi a GE Money. E é evidente a ênfase no investimento em mercados emergentes.

"O Brasil é um mercado importante para a GE Money e para o financiamento ao consumo", disse Cary, entusiasmado com a "boa forma e o crescimento da economia brasileira". Segundo ele, "a situação financeira do país, com a administração das contas externas e a política fiscal, cria um bom ambiente para investir. É um mercado que deve ser bom para a GE, apesar de muito competitivo".

Cary afirmou que gostaria de explorar a experiência de parceria no mercado brasileiro. "Temos um bom negócio, uma tremenda especialização em financiamento ao consumo no mundo todo e podemos contribuir bastante para uma parceria. Gostaríamos de explorar essa alternativa se encontrarmos o parceiro adequado, complementar. Temos que estar certo de que vai trazer valor ao negócio senão não adianta fazer".

A GE Money tem uma série de experiências bem sucedidas de parcerias. "Nós aprendemos a ser grandes parceiros", disse Cary citando como exemplo a parceria com bancos de poupança espanhóis, que têm grande rede de distribuição e funding, mas são novatos no financiamento ao consumo.

O modelo funciona muito bem também em outros mercados. A GE tem, desde 2005, uma parceria com a rede da América Central BAC/Credomatic, que opera em seis países da região (Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá). Na Colômbia, comprou por US$ 100 milhões participação minoritária (39,3%) no Banco Colpatria - Red Multibanca, com opção para assumir mais 25%.

Na Turquia, estabeleceu no mesmo ano a parceria com o grupo Dogus no terceiro maior banco do país, o Garanti Bank, com 5,8 milhões de clientes e 450 agências.

Mas a GE Money também é bastante ativa em aquisições, uma alternativa que Cary não descarta no Brasil. "Comprar sempre é uma possibilidade. É uma questão de preço. Também somos bons em aquisições ao longo do tempo. É uma ferramenta que sempre usamos. Estamos sempre examinando alternativas. Tentamos já comprar algumas coisas, mas não deu; em alguns casos ficamos felizes de não termos comprado; em outros, gostaríamos de ter feito. Acho mais adequado no caso do Brasil tentar uma parceria aqui. Mas continuaremos olhando alternativas de aquisição", afirmou Cary. A GE Money disputou aguerridamente com o Bradesco a compra do Banco do Estado do Ceará (BEC), em 2005.

A GE Money deve fechar neste trimestre a compra por 800 milhões de euros de um banco na Polônia, o Banco BPH, o que vai lhe dar uma posição de banco universal no mercado local.

Mas, não insiste em mercados onde considera sua posição "sem escala ou não competitiva". Foram esses os motivos, segundo Cary, que levaram a GE Money a trocar, neste ano, operações de financiamento ao consumo na Alemanha, Áustria, Finlândia e Reino Unido e Finlândia, no valor de US$ 3,2 bilhões pelas operações comerciais do Interbanca, na Itália, com o Santander.

09/04/2008

 

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