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128-Mar-2007
Renato Carvalho
O banco Nossa Caixa e o Governo do Estado de São Paulo anunciaram ontem a
assinatura do contrato para pagamento dos salários dos servidores públicos
estaduais. Para prestar o serviço de forma exclusiva, o banco público paulista
pagará R$ 2,084 bilhões ao governo. Atualmente, são 1,1 milhão de servidores,
dos quais 600 mil recebiam seus vencimentos no Santander Banespa, até o final do
ano passado. Desde então, os funcionários já recebiam na Nossa Caixa. As ações
do banco caíram 2,87%, a R$ 35,45.
O contrato firmado vale por 60 meses. De acordo com a Secretaria de Fazenda do
Estado, o pagamento de salários dos funcionários públicos movimenta cerca de R$
2 bilhões, o que resultaria em um total de R$ 125 bilhões durante toda a
vigência do contrato. “É um montante significativo, e por isso mesmo resolvemos
fechar este negócio. É lógico que se a Nossa Caixa se negasse a pagar os R$
2,084 bilhões propostos pelo governo, haveria um leilão, e muitas instituições
financeiras estão interessadas na folha do estado”, diz Milton Luiz de Melo
Santos, presidente da Nossa Caixa.
Já o governo explica porque optou por não fazer uma licitação da folha. “Nós
resolvemos dar preferência para a Nossa Caixa, por se tratar de um banco público
e também por já estar fazendo o pagamento dos funcionários. Nós fizemos um
estudo sobre o valor deste ativo, e o oferecemos ao banco. Eles aceitaram, e nós
fechamos o acordo”, diz Mauro Ricardo Costa, secretário da Fazenda.
Quanto ao impacto no resultado da Nossa Caixa, o presidente da instituição
procurou passar tranqüilidade, já que o pagamento da operação será feita à
vista. “A Nossa Caixa tem uma situação financeira e patrimonial confortável, e
não teremos nenhum tipo de problema para pagar esta operação”, afirma Santos. No
ano passado, a Nossa Caixa registrou um lucro líquido de R$ 453 milhões.
O banco ainda espera que o retorno do investimento na operação venha
rapidamente. “Temos um planejamento, e podemos dizer que temos toda a segurança
que obteremos o break-even destes R$ 2 bilhões antes do final do contrato, em
2012”. Porém, os servidores ficarão isentos de muitas tarifas. “Ficou
determinado no contrato que o banco não cobrará tarifas de transferência para
outros bancos, de saques, cartão magnético ou talão de cheques”, diz.
O governo usará os R$ 2 bilhõs em obras de infra-estrutura. Os recursos vão para
a reforma de estradas vicinais no interior do estado, a construção da Linha
Amarela e a ampliação da Linha Verde do Metrô, além da construção do trecho sul
do Rodoanel.
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