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Nossa Caixa quer ampliar consignado


30-Mar-2007
Expectativa do banco é fidelizar 85% dos servidores paulistas, pelos quais pagou R$ 2 bi. A Nossa Caixa não vai medir esforços para recuperar, em cinco anos, o investimento de R$ 2,084 bilhões pela exclusividade de pagar, até 2012, os salários dos 1,1 milhão de servidores públicos paulistas.
A promessa é do presidente do banco, Milton Luiz de Melo Santos. Seus planos incluem o corte de despesas e a ampliação das receitas com crédito (principalmente consignado) e tarifas. Santos, que assumiu o cargo em janeiro, anunciou anteontem o acordo para pagamento dos funcionários fechado com o governo, e começou ontem mesmo uma maratona para comunicar aos gerentes as novas diretrizes do banco para crescer. "Para transformar essa despesa em benefícios, tenho que estimular minha tropa", diz o executivo.
Santos acredita que há muito espaço para crescer em crédito consignado. "Estamos revendo para cima todas as nossas projeções feitas no começo do ano", informou. O presidente acredita que pode ampliar a fidelização dos cerca de 600 mil novos clientes que desde janeiro estão recebendo seus salários no banco (antes recebiam pelo Santander Banespa) de 65% para 85% em média.
Segundo o executivo, no final de fevereiro último a carteira de crédito para pessoas físicas da Nossa Caixa somava R$ 4,9 bilhões, dos quais R$ 2,7 bilhões tomados por servidores por meio de crédito consignado. Mas até agora apenas 15% dos 1,1 milhão de servidores que recebem seus salários pelo banco contrataram esse tipo de crédito. "A rentabilidade da linha é boa e a inadimplência é quase zero", lembra.
Imóveis e automóveis
Um dos caminhos que o banco estuda para ampliar a carteira de consignado é oferecer a modalidade para financiamento de imóveis, por exemplo. A Nossa Caixa tem uma parceria com a administradora de consórcios Rodobens, com a qual negocia a oferta de crédito imobiliário consignado aos salários para que o consorciado ofereça um lance e obtenha a carta de crédito para comprar o imóvel assim que pagar pelo menos 20% das parcelas. Opção semelhante pode ser adotada para acelerar o crescimento de financiamento de automóveis. "A venda de veículos retomados em caso de inadimplência é uma operação complicada para bancos públicos, que precisam abrir licitação para tudo", justifica. Numa parceria com a Rodobens, o carro ficaria alienado à administradora, facilitando o processo de retomada. E as parcelas também seriam descontadas do salário do servidor, reduzindo riscos.
Santos também acredita no potencial de uma parceria com a Companhia do Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado para alavancar o crédito imobiliário no banco, segundo ele a "coqueluche" do mercado hoje. "Precisamos aplicar os recursos captados com a poupança, e o governo precisa incentivar a construção de casas para a população de baixa renda. A idéia é fazer a análise, a aprovação do empréstimo, a liberação dos recursos e a cobrança como uma operação comercial como outra qualquer para os servidores paulistas - e a CDHU entra com o subsídio para cobrar uma taxa mais baixa aos clientes", explica.
Enquanto os planos ambiciosos do novo presidente da Nossa Caixa não dão frutos, analistas e acionistas parecem que não querem esperar para ver. Os preços das ações caíram 4,9% ontem, para R$ 30,90. Para Santos, a queda é fruto de especulação. "Quem comprar na baixa sairá ganhando". O presidente evita falar de uma nova oferta de ações - o banco vendeu em 2005 28% do capital e tem autorização para vender mais 21%. Mas na sua opinião, a venda só deveria ocorrer depois do banco se recuperar desse investimento.
Para Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating, o valor pago foi elevado - na sua opinião, a folha vale R$ 1,2 bilhão. O preço será pago a vista e em dinheiro, mas será amortizado ao longo do contrato - R$ 400 milhões por ano. Este foi o valor do lucro do banco no ano passado, por exemplo. "O dinheiro terá que sair da venda de títulos públicos que o banco tem em carteira, que vinham rendendo juros; portanto, o resultado será afetado", diz. "O banco pagou por algo que já tinha e agora será difícil recuperar esse investimento", disse. Segundo o consultor, apenas cerca de 750 mil funcionários da folha são potencialmente rentáveis. Os servidores representam 20% do total dos clientes do banco.
O presidente da Nossa Caixa acredita que o investimento será compensado pelo aumento das receitas e tarifas, venda de seguros, fundos de investimento e previdência, e pelos ganhos com a movimentação dos cerca de R$ 2,3 bilhões em salários que o governo depositará mensalmente.(Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)(Léa De Luca)

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