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25-Apr-2007
ALINE OLIVEIRA
Em pouco mais de dois anos, o número de aposentados que acessaram empréstimos
consignados na Paraíba cresceu 36 vezes. Enquanto em setembro de 2004 apenas
3.338 paraibanos contraíram empréstimos com as vantagens garantidas aos
aposentados desde então, em dezembro do ano passado, este número tinha pulado
para 120.168.
O volume de recursos também deu um salto e tanto, com um crescimento de 1.852%,
movimentando R$ 176,8 milhões no final de 2006. O levantamento foi feito pelo
Instituto DataPrev e também identificou que 42% dos empréstimos são feitos por
segurados que têm benefícios entre um e três salários mínimos. De acordo com o
chefe de Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Gerência
João Pessoa, Joaquim Neto, uma pesquisa realizada pelo próprio órgão dá conta de
que a maioria dos acessos é feita para abrir pequenos negócios ou para realizar
reformas na casa onde mora o aposentado, situações que seriam quase impossíveis
para quem tem uma renda tão pequena. “Assim eles podem acessar o sistema
financeiro e realizar estes sonhos sem comprometer mais do que 30% da renda
mensal, que é o limite permitido para a parcela descontada no benefício”,
acredita.
Até o começo do mês, havia 232 mil empréstimos ativos na Paraíba que colocaram
nas mãos dos aposentados cerca de R$ 338 milhões, outros mais de 6 mil foram
cancelados antes do pagamento da primeira parcela e mais 24,2 mil foram
liquidados depois do primeiro pagamento. Uma parte destes dois últimos casos é
formada por aposentados que não assinaram o contrato pedindo o empréstimo e
acionam o INSS, que interrompe imediatamente o pagamento das parcelas. “Estas
situações estão acontecendo cada vez menos, mas ainda são comuns, por isso é
preciso procurar o órgão o mais rápido possível quando isso acontecer”, alerta.
De qualquer forma, ele avalia que este crescimento comprova a necessidade
observada pelo mercado financeiro de incluir esta parte da população no sistema
bancário.
Até 2004, quando foi criado o empréstimo consignado com desconto direto no
benefício, por conta das baixas rendas, eles não conseguiam acessar este tipo de
serviço. Mas Joaquim chama a atenção para outra questão: a razão pela qual o
empréstimo está sendo feito. “O aposentado é quem faz a escolha, nós não podemos
interferir, mas ele precisa fazer uma avaliação se aquela operação não vai
comprometer sua renda ou se aquilo que vai ser adquirido realmente vale o
sacrifício”, sugere Joaquim. É preciso, portanto, ter alguns cuidados na hora de
aderir a uma dos muitas ofertas feitas pelos bancos. O primeiro, aliás, é
exatamente procurar apenas instituições credenciadas pelo INSS e disciplinadas
pelo Banco Central para efetuar a operação. É preciso também ficar de olho nas
taxas de juros, já que o máximo que pode ser cobrado é 2,72%, mas há diferenças
entre os bancos e é importante acessar os com menores taxas.
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