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14-May-2007
A desaceleração no ritmo de crescimento do crédito consignado nos últimos meses,
após uma primeira fase de explosão das operações, não significa o esgotamento de
seu potencial, apontam economistas e executivos de bancos e financeiras. Ainda
que inferior ao nível registrado principalmente em 2004 e 2005, o crescimento
tem sido expressivo: o volume de operações subiu 47,4% nos 12 meses encerrados
em março, alcançando um volume de R$ 52,778 bilhões. O aumento do interesse dos
grandes bancos de varejo pela modalidade é mais uma prova deste potencial. No
início do ano, o Bradesco adquiriu o BMC, ampliando a concorrência no setor.
Mesmo as operações para trabalhadores públicos continuam crescendo, com alta de
46,4% nos 12 meses encerrados em março e de 9,5% no ano.
Um nicho, porém, começa a ser explorado mais intensamente e, se desenvolvido,
pode representar o próximo boom do crédito consignado: as operações para os
funcionários de empresas privadas. A participação desse público ainda é pequena
(12,59% do total em março de 2007) e cresce a passos lentos (era de 12% em
dezembro de 2005).
"Os empréstimos consignados realmente cresceram muito, mas o segmento não está
esgotado. Pouco menos de 13% desse montante estão destinados aos funcionários
privados, ou seja, é um segmento ainda pouco explorado", afirma o analista da
Tendências Consultoria Denis Blum, lembrando que o número de trabalhadores da
iniciativa privada, com carteira assinada, é muito maior que o de funcionários
públicos.
Para a professora do Instituto de Economia da Unicamp Maryse Farhi, o
desenvolvimento do mercado de empréstimos consignados para a iniciativa privada
poderia levar a um novo boom de crescimento, mas é preciso definir o custo de
uma característica diferente que é a rotatividade dos funcionários. Se o risco é
maior, a taxa de juros também vai nesta direção.
EMPREGO. "A oferta de empréstimos consignados não está condizente com o tamanho
deste mercado, mas os bancos têm medo da falta de estabilidade no emprego. Se os
bancos resolverem se arriscar, teremos um novo boom do consignado", acredita a
economista.
O investimento de R$ 800 milhões na aquisição do BMC é a prova do potencial que
o Bradesco vê no segmento, aponta o diretor-executivo do banco, Ademir Cossiello.
"Não há dúvida deste potencial, temos todo um mercado a explorar que é o dos
empréstimos para os trabalhadores privados", diz o executivo. Para ele, haverá
uma mudança na composição do mercado consignado, com um aumento da parcela dos
empréstimos destinada aos funcionários privados, mas o setor público deve manter
sua importância.
No Bradesco, a previsão é de uma expansão dos empréstimos consignados em 2007
superior aos 25% estimados para o crédito como um todo. "O consignado vai
continuar crescendo acima do mercado de crédito por um bom tempo", afirma.
O entusiasmo para novas operações no consignado também é compartilhado pelo
superintendente nacional de empréstimos a pessoas físicas da Caixa Econômica
Federal, Laércio de Souza. A modalidade corresponde a 60% da carteira de pessoa
física do banco, atualmente em cerca de R$ 10 bilhões. O banco iniciou as
concessões para trabalhadores privados, mas sua participação é de apenas 5% do
total.
"O risco é diferente porque a rotatividade dos funcionários é maior, mas há
espaço para crescer com mais vigor. Na Caixa, as taxas de juros são parecidas,
mas o prazo oferecido é, no máximo, metade dos 72 meses permitidos para os
servidores públicos", diz.
Com uma carteira de nada menos do que R$ 9,32 bilhões em março, o Banco BMG
ainda vê o setor público como o principal foco de sua atuação no consignado. Do
total de empréstimos, apenas R$ 500 milhões são destinados a funcionários de
empresas privadas. "A concessão de empréstimos para aposentados e pensionistas
se mantém entre R$ 800 milhões e R$ 900 milhões de novos contratos por mês.
Temos muito mercado pela frente. A expectativa agora é que o governo de São
Paulo libere empréstimos para os 1,2 milhão de servidores, hoje apenas com a
Nossa Caixa. Além disso, há os estados do Ceará, Rio Grande do Sul, Pará, entre
outros", explica o vice-presidente executivo do BMG, Márcio Alaor de Araújo.
POTENCIAL. Estratégia semelhante tem o diretor de consignação do Banco
PanAmericano, Roberto Rigotto. Embora admita que a demanda por novos empréstimos
está reduzindo no setor público, destaca que a entrada de novos tomadores de
crédito está em 15%, ainda um forte potencial para as operações. O banco tem uma
carteira de R$ 3,5 bilhões em consignado e esperar expandir este montante para
R$ 4,5 bilhões no fim do ano.
A proposta de conceder empréstimos consignados para a compra de imóveis, lançada
pelo governo em setembro do ano passado, lentamente começa a se tornar
realidade. A Caixa Econômica Federal já fechou acordos com a Fundação dos
Economiários Federais (Funcef) e com a Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros)
para oferecer financiamento habitacional com desconto em folha de pagamento e
estuda como estender o produto a outros trabalhadores.
O Bradesco também vai oferecer a modalidade. O produto já está disponível para
os servidores públicos e o banco está buscando parcerias com empresas privadas,
inicialmente com aquelas de que já é responsável pela folha de pagamento. As
parcelas são fixas, segundo o diretor-executivo Ademir Cossiello, com taxas
inferiores ao do crédito imobiliário do banco, de 12,5% ao ano.
Interessado em oferecer o produto a seus clientes, o vice-presidente executivo
do BMG, Márcio Alaor de Araújo, está estudando parcerias com outros bancos para
conseguir financiamento mais barato para essas operações. O Banco BMG fez uma
pesquisa junto aos clientes e constatou que oito em cada dez querem ter uma casa
própria. "Este será o grande mercado do consignado. Devemos lançar o consignado
para a compra de imóveis em até 90 dias", diz.
No banco PanAmericano, a alternativa para um financiamento mais barato será o
lançamento de caderneta de poupança, no segundo semestre. Atualmente, o banco
oferece o Credimóvel, mas com prazo de até 60 meses para o pagamento. O diretor
de consignação do PanAmericano, Roberto Rigotto, no entanto, acredita que a
modalidade terá mais dificuldades de ser estendida aos trabalhadores da
iniciativa privada.
Fonte: Jornal do Commercio Brasil
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