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Os bancos médios
intensificaram a pressão contra os grandes na concorrência por financiamento de
veículos. Enquanto a carteira de instituições financeiras como Sofisa, Daycoval
e Schahin cresceram em média mais de 100% no terceiro trimestre de 2007 sobre o
trimestre anterior, gigantes como Itaú e Bradesco registraram alta de 14,8% e
7,7%, respectivamente. O boom dos médios pode ser explicado em parte pela base
menor de operações, mas também pela atuação mais agressiva desses players no
segmento.
Dados do Banco Central divulgados nesta semana mostram que o saldo de
financiamento de veículos em outubro somou R$ 78 bilhões, alta de 26,8% frente o
mesmo período do ano passado. Mesmo com o aumento das operações, a inadimplência
registrou ligeira queda. Financiamentos com até 90 dias de atraso representavam
7,5% da carteira em outubro do ano passado, enquanto neste ano representam 6,9%.
Com a oferta inicial de ações (IPO, da sigla em inglês) realizada em maio deste
ano, o Sofisa se capitalizou e conseguiu aumentar em 242,6% sua carteira de
veículos no terceiro trimestre na comparação com o trimestre anterior, somando
R$ 350,9 milhões. Criada em março de 2007, a carteira é formada principalmente
por à pessoa física, que respondem por 93,7% do
total. "Temos mais de 500 parcerias com concessionárias e pretendemos ampliar
esse número com uma maior penetração em estados onde ainda não temos atuação
forte, como Ceará, Goiás, Bahia, Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais", afirma
Gilberto Meiches, vice-presidente do banco. A expectativa é intensificar a
presença nesses estados durante 2008.
Para dar funding às operações, o banco pretende captar US$ 150 milhões com o
International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial, até o final do
ano. "Além disso, vamos captar pela primeira vez no mercado externo no início do
ano que vem", explica Meiches. O banco pretende emitir US$ 150 milhões em
eurobônus com prazo de três anos. "O Sofisa está capitalizado por causa do IPO,
mas estamos nos precavendo devido ao aumento da carteira", diz.
Apesar de defender que o banco não pretende competir diretamente com
instituições grandes, Meiches lembra que o diferencial do Sofisa é a qualidade
do atendimento. "Justamente por sermos menores, temos a chance de nos aproximar
mais do cliente", diz. Atualmente, o banco tem 2% de market share.
Já o Schahin, cuja carteira de financiamento de veículos cresceu 60% no terceiro
trimestre, somando R$ 192 milhões, pretende ampliar sua atuação no Sul e no
Nordeste. "Atuamos principalmente no financiamento de veículos seminovos",
explica Carlos Eduardo Schahin, diretor financeiro. O banco oferece prazo máximo
de 72 meses. "Não estamos preocupados com o alongamento dos prazos, pelo
contrário, o mercado permite essa ampliação. Os empréstimos no Brasil têm taxas
pré-fixadas, não há oscilação". A expectativa é que a carteira cresça mais de
100% em 2007 e em 2008.
Segundo Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, os bancos
médios têm participação pequena no total de financiamento de veículos no Brasil,
mas esse volume tende a se ampliar. "Com a indústria automobilística quebrando
recordes, é claro que os bancos médios vão atrás desse filão", diz.
Apesar de seu carro-chefe ser o middle-market, o crédito a pequenas empresas, o
Daycoval teve alta de 113,1% em sua carteira de veículos, que passou de R$ 108,8
milhões para R$ 231,8 milhões do segundo para o terceiro trimestre de 2007. Para
diversificar seu funding, o banco divulgou ontem ter assinado financiamento com
o International Finance Corporation (IFC) de US$ 115 milhões. "A operação faz
parte da estratégia do Daycoval em buscar a diversificação das fontes", informou
a instituição.
Fonte jornal DCI - Luciana Bruno
03/12/2007
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