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A partir de janeiro, 22
milhões de aposentados e pensionistas do INSS passarão a receber o contracheque,
em casa, pelos Correios. O primeiro comprovante será relativo aos rendimentos ao
longo de todo o ano 2007. Depois, o envio será semestral, em julho do ano
corrente e janeiro do ano seguinte.
A volta do contracheque, anunciada ontem pelo ministro da Previdência, Luiz
Marinho, havia sido antecipada pela Coluna do Aposentado, no dia 12 de agosto.
Antiga reivindicação da categoria, o comprovante de renda é instrumento
fundamental para que aposentados e pensionistas possam fazer compras a prazo ou
operações financeiras. Hoje, eles têm que apresentar o extrato do banco em que
recebem o benefício ou o contracheque, disponível somente na Internet
(www.dataprev.gov.br), meio de acesso muito restrito para os idosos.
Com o comprovante em mãos, os segurados também terão como controlar mais de
perto, por exemplo, os descontos de parcelas de empréstimos, do Imposto de Renda
e o valor do próprio benefício. Também poderão usar o contracheque para
conseguir desconto ou passagem gratuita nas viagens de ônibus interestaduais —
no caso dos aposentados com mais de 60 anos de idade e renda mensal de até dois
salários mínimos (R$ 760).
Marinho, que participou ontem de reunião com a Comissão Permanente de Política
de Valorização do Idoso, admitiu reduzir o intervalo de seis meses: “Assumimos o
compromisso de enviar dois (contracheques) por ano, um a cada seis meses.
Futuramente, poderemos reduzir esse espaço de tempo”.
Segundo ele, o fato de os aposentados e pensionistas não correrem o risco de
serem demitidos e terem legislação própria que regula o benefício permite que o
contracheque tenha maior validade: “Estamos negociando com os Correios tarifa
social para o envio dos contracheques. Ainda não temos o valor, mas o fato de
serem somente dois comprovantes por ano reduz o custo”.
Os comprovantes serão impressos pela Dataprev, responsável pela folha do INSS.
De acordo com o ministério, a empresa tem capacidade de rodar 700 mil
contracheques por dia. Por isso, serão necessários em torno de 60 dias para
impressão dos primeiros comprovantes relativos a 2007, o que deverá estender o
envio até fevereiro. Segurados que ganham benefícios assistenciais ou
auxílio-doença não receberão os contracheques pelos Correios.
Reunião na terça-feira com bancos
O ministro da Previdência Social, Luiz Marinho, e representantes dos bancos
deverão anunciar na semana que vem um acordo envolvendo a folha de pagamento do
INSS. Marinho disse ontem que a negociação está nos detalhes finais: “Veremos
se, na terça-feira, anunciaremos um acordo”.
O governo quer que os bancos comprem o direito de continuar pagando mensalmente
aposentadorias, pensões e auxílios a mais de 25 milhões de pessoas. Com o avanço
do crédito consignado, percebeu que tem em mãos uma carteira de clientes muito
valiosa.
R$ 250 MILHÕES
O ministro evita falar quanto essa venda pode render aos cofres públicos, mas
adverte que a folha do INSS tem um grande valor e deve ser “precificada”. Se não
conseguir fechar um acordo com as instituições financeiras, o governo promete
fazer em 2008 um leilão da folha da Previdência, semelhante ao que já ocorreu em
vários estados e municípios.
Atualmente, é a União quem paga aos bancos e gasta cerca de R$ 250 milhões por
ano pela prestação do serviço. As instituições ganham por operação realizada. O
aposentado ou pensionista que recebe via cartão magnético rende R$ 1,07 para o
sistema financeiro, e o correntista, R$ 0,30.
Fonte O DIA
08/12/2007
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