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Apesar de se considerar capaz
de enfrentar o aumento da concorrência esperado com a aquisição do Banco ABN
AMRO Real pelo Santander, o Banco Itaú afirma que precisa ganhar espaço no
consignado e no crédito para pequenas e médias empresas.
Com uma franqueza pouco usual em uma empresa, o presidente do Banco Itaú,
Roberto Setubal, fez uma autocrítica, ontem, perante os 610 investidores
presentes em reunião da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento
do Mercado de Capitais (Apimec). Ele disse que o banco não se deu conta do
potencial do consignado na arrancada do mercado e agora está "correndo atrás"; e
que "tem uma lição de casa a fazer" no crédito a pequenas e médias empresas.
Setubal confirmou que tentou resolver a deficiência no mercado de consignado com
uma aquisição. O Itaú tem um acordo com o Banco BMG, que lhe o dá o direito de
preferência caso o controlador do banco mineiro, um dos maiores em consignado,
queira vender a instituição. O acordo foi feito no final de 2004, quando o
aperto de liquidez levou o BMG a fazer um contrato de cessão de crédito. O
acordo vence neste sábado, e o BMG já antecipou ao Valor que não quer vender o
banco.
O presidente do Itaú informou que não "houve nenhuma conversa conclusiva", nem
se chegou a conversar sobre preço ou condições. Mas deixou aberta a porta para
futuras aquisições.
Ao longo de sua apresentação, Setubal informou que o Itaú tem um lucro não
realizado de R$ 8,268 bilhões, que podem ser utilizados em aquisições. Entre os
ativos que compõem essa conta consta a participação na Redecard, avaliada em R$
5,2 bilhões. O total sobre a R$ 9,257 bilhões com a inclusão da participação na
Bovespa e na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
O valor de mercado do Itaú de US$ 60 bilhões em setembro também foi considerado
como uma moeda de uso possível em uma eventual aquisição.
O banqueiro também está de olho em aquisições que reforcem a estrutura na
América Latina, que, além da Argentina, passou a abranger o Chile e o Uruguai
após a compra do BankBoston. Setubal também informou que está prospectando o
mercado do Oriente Médio, a partir de Dubai.
Fonte Valor Econômico - Maria Christina Carvalho
08/12/2007
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