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O Banco BMG encerrará o
ano com um saldo de R$ 10 bilhões na carteira de crédito consignado a
funcionários públicos, aposentados do INSS e empregados de empresas privadas.
Somente neste ano, foram liberados R$ 3,7 bilhões, o que representa um aumento
de 77% em relação ao volume de recursos concedido no ano passado e reforça a
liderança da instituição no segmento de empréstimos com desconto em folha de
pagamento. Para 2008, o banco projeta expansão de 25%
inclusive fortemente na região do ABC.
Segundo o vice-presidente do banco, Márcio Alaor de Araújo, o crescimento mostra
que, a despeito de sucessivas previsões negativas, o crédito consignado continua
em expansão. Segundo informou, somente o INSS libera R$ 900 milhões, a cada mês,
para novos empréstimos dos aposentados. "Isso sem falar na renovação de crédito
dos usuários já existentes que quitaram débitos anteriores", declarou O
executivo afirmou ainda que a demanda por crédito consignado foi muito aquecida
em 2007. Mesmo no final de ano, tradicionalmente mais fraco por conta do 13
salário, o Banco BMG liberou R$ 509 milhões em outubro, R$ 530 milhões em
novembro e, em dezembro, a média diária de concessões elevará os empréstimos
para mais de R$ 600 milhões.
A carteira total do BMG é de R$ 11,5 bilhões, dos quais R$ 10 bilhões são
crédito consignado. O restante se destina a financiamentos de automóveis e
descontos de duplicatas, também conhecidos como recebíveis. Do total de recursos
direcionados para o crédito, apenas R$ 1,5 bilhão é recurso próprio. O restante
é formado por captação em CDB (R$ 2 bilhões), cessão de crédito (R$ 7 bilhões) e
emissão externa (R$1,5 bilhão). Como o mercado se apresenta muito maior que a
capacidade de atendimento do BMG, Márcio Alaor informa que o banco está buscando
um caminho para se capitalizar ainda mais, seja por meio de abertura de capital
na Bolsa ou por aliança com um grande fundo de investimento.
Número 1
O BMG lidera o ranking do segmento de empréstimo com desconto em folha, com 17%
do mercado. Em seguida, com pouca diferença, estão o Banco do Brasil e a Caixa
Econômica Federal. O mercado é disputado por 43 bancos e duas financeiras
independentes. O banco acredita que crescerá 25% em 2008 caso alcance sucesso
nas licitações para a realização de empréstimos consignados para os funcionários
dos governos estaduais de São Paulo, Ceará, Pará e Rio Grande do Sul, que hoje
dão exclusividade a uma única instituição financeira.
A partir de janeiro o BMG também pretende atuar de maneira mais forte junto às
empresas privadas que, segundo Márcio Alaor, ainda não compreenderam o benefício
que esse empréstimo representa para seus empregados. De acordo com o executivo,
muitos dirigentes de empresas acreditam que o empréstimo é uma forma de criar
dívidas para seus empregados, mas, na verdade, eles já se encontram endividados,
pagando juros altos no cheque especial e cartão de crédito. Hoje, o consignado
para empresas privadas representa só 7% da carteira do banco.
O Banco BMG dispõe de apenas 10 agências convencionais, com porta para a rua.
Para realizar esse gigantesco volume de R$ 10 bilhões de empréstimos, a
instituição se vale dos serviços autônomos de uma rede de 3 mil correspondentes
bancários, cada um com loja ou escritório próprio. Estes, por sua vez, mobilizam
um exército de 30 mil corretores, que são conhecidos pelo carinhoso apelido de
"pastinhas", por andar com suas maletas abarrotadas de propostas. Eles vão aonde
o aposentado e os servidores estão e se encontram presentes em todos os
municípios brasileiros.
Na prática, o banco montou uma rede de 3 mil agências, nas quais são oferecidos
todos os produtos da instituição, com destaque para o consignado, cartão de
crédito e financiamento de veículos. Em decorrência da expansão dessas
microgências e da volúpia dos agentes e seus pastinhas, que recebem apenas pela
produção apresentada, o financiamento de automóveis também subiu. Em 2004, o BMG
liberou R$ 277 milhões para a compra de carros, volume crescente ao longo dos
anos até atingir R$1 bilhão em 2007. A atividade se tornou atraente, segundo
Márcio Alaor, depois de várias modificações na legislação, que agora permite a
retomada do veículo dos compradores inadimplentes em apenas 60 dias e sua
imediata revenda para outro cliente. A instituição só empresta para a aquisição
de automóveis usados e, segundo informou, o crescimento do mercado pode ser
visto pelo exemplo de Belo Horizonte, onde são emplacados 500 veículos por dia,
grande parte estimulada pelos juros que também não ultrapassam 2,5% ao mês.
Nos últimos quatro meses, os servidores públicos e aposentados do INSS se
depararam também, nas agências dos correspondentes bancários, com um extenso
mostruário de aparelhos eletrodomésticos, como geladeiras, televisões, máquinas
de lavar e fogões. Trata-se de uma nova atividade do banco, denominada BMG
Eletro, que oferece esses aparelhos aos aposentados, fornecidos diretamente
pelos fabricante. As prestações são descontadas em folha de pagamento, sem
nenhum acréscimo ou promoção e saem mais em conta que no varejo da cidade.
A venda é realizada basicamente por catálogos, como fazia a antiga rede Sears
dos Estados Unidos. A iniciativa, segundo Márcio Alaor, resultou da percepção de
que os tradicionais tomadores do consignado quitaram suas dívidas e agora buscam
o dinheiro barato para a reforma da casa própria ou ainda para a aquisição de
aparelhos eletrodomésticos. Os catálogos oferecem 120 produtos diferentes, mas
os preferidos são mesmo a geladeira, a máquina de lavar , o aparelho de som e o
fogão. O BMG Eletro vende cerca de 3.500 produtos por mês, o que corresponde ao
volume de uma grande loja de eletrodomésticos num shopping de movimento forte e
que resultam em créditos superiores a R$ 10 milhões mensais.
Alta de 300%
Segundo o consultor de marketing Rodrigo Vieira, que trabalha para o banco, as
vendas de eletrodomésticos poderiam ser ainda maiores, mas os fabricantes têm
medo de irritar as grandes redes de varejo. Por isso, o banco não faz campanha
publicitária para promover o produto. Mas, a previsão é de que o BMG Eletro
cresça 300% em 2008. "Temos que inovar, pois dinheiro todos os outros bancos
também oferecem", declarou.
Fonte jornal Gazeta Mercantil - Durval Guimarães
01/01/2008
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