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No mês passado foi registrado
um avanço de 3,1% da liberação de financiamentos
BNDES deverá ser um dos maiores repassadores de crédito em 2008. Empresas
deverão ser beneficiadas por novo cenário
A perspectiva favorável para a expansão da economia no próximo ano, prevista
para crescer 4,5% segundo a mediana das expectativas apuradas pela pesquisa
Focus realizada pelo Banco Central, deve ser o principal fator que vai colaborar
para que a concessão de crédito apresente um aumento ao redor de 20% no próximo
ano, de acordo com economistas entrevistados pela Agência Estado. Na avaliação
dos especialistas, a taxa deve apresentar no próximo ano uma pequena
desaceleração em relação à alta de 26,7% apurada em novembro no acumulado em 12
meses. No mês passado foi registrado um avanço de 3,1% da liberação de
financiamentos no País, o que fez com que o estoque dos empréstimos saltasse de
R$ 881,615 bilhões para R$ 908,775 bilhões.
O consultor econômico do banco Itaú, Joel Bogdanski, pondera que o cenário
básico para a evolução do crédito no Brasil em 2008 indica uma expansão entre
15% e 20% sobre o registrado em 2007. Tal nível de crescimento é compatível com
uma economia que deve registrar um incremento de 4,8% no próximo ano. Para ele,
trata-se de uma elevada taxa de expansão da concessão de financiamentos, que
tende a perder um pouco de velocidade nos próximos 12 meses, pois o ritmo atual
é muito intenso e tende a diminuir na medida em que a demanda reprimida dos
consumidores é atendida com mais vigor como ocorreu neste ano.
O economista do Unibanco Philip Pastor Wagner estima que a concessão de crédito
deve subir 24% em 2008, pois o nível de atividade deve apresentar um bom ritmo
de expansão, com aumento da massa salarial e manutenção da inadimplência em
patamares baixos, que no caso das pessoas físicas registrou a marca de 7,1% em
novembro, abaixo dos 7,7% apurada no mesmo mês de 2006. Na sua avaliação, o
crédito livre deve registrar uma alta de 30%, enquanto deve subir 7% os
financiamentos direcionados, boa parte deles realizados pelo BNDES para empresas
com base na TJLP. Neste contexto, ele projeta que o volume de crédito, que
fechou 2006 em 31% do PIB e atingiu 34,3% do produto interno em novembro, deve
encerrar 2007 em 35% do PIB e saltar para 40% do produto interno bruto em 2008.
Na avaliação do analista sênior do BES Investimento, Fábio Knijnik, a concessão
de crédito deve registrar um aumento ao redor de 20% no próximo ano e também
pondera que o nível de atividade do País deve manter uma boa velocidade de
expansão em 2008. Ele não acredita que a inadimplência deve aumentar de forma
expressiva nos próximos quatro trimestres, pois as instituições financeiras
adotam mecanismos de avaliação de riscos cada vez mais sofisticados e a
população em geral está sabendo assumir compromissos financeiros que caibam no
orçamento familiar, o que viabiliza a concessão de empréstimos no longo prazo.
O avanço da inflação pode atrapalhar um pouco o cenário benigno para a concessão
de crédito no próximo ano. Os bancos Itaú e Unibanco, por exemplo, não acreditam
que o BC vai diminuir os juros em 2008, pois até cresceram as chances do Copom
elevar a Selic em março ou abril para evitar o avanço do IPCA.
Fonte Agência Estado - São Paulo
01/01/2008
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