Crédito Pessoal Bancos e financeiras destacam o crédito consignado com desconto em folha de pagamento
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 Crédito de pequeno valor irriga economia

Empréstimos abaixo de R$ 5.000 cresceram 6,8% no terceiro trimestre e ganham espaço nas operações dos bancos

Diferentemente do que vinha acontecendo no último ano, o volume de crédito de pequeno valor para pessoas físicas - abaixo de R$ 5 mil - voltou a ganhar força e, há poucos meses, tem avançado mais que outras modalidades. Os motivos são variados, mas todos têm relação com o bom momento da economia, o emprego e o crescimento da renda. Bancos e financeiras destacam o crédito consignado com desconto em folha de pagamento e o maior uso de cartão de crédito pela população de baixa renda para explicar o cenário. E adiantam que se trata de uma tendência.

Segundo dados do Banco Central (BC), no trimestre fechado em setembro os empréstimos nessa faixa menor cresceram 6,8%, muito diferente da queda de quase 1% vista entre julho e setembro de 2006. O crédito entre R$ 5 mil e R$ 50 mil, por exemplo, cresceu 6,5% no mesmo período. Nos últimos tempos, ele era o que mais avançava por causa do estouro nos empréstimos para compra da casa própria. "O que estamos vendo é a destinação de recursos para pessoas de menor renda, com a maior bancarização", costuma afirmar o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

De acordo com o BC, o volume total de crédito no Brasil vai continuar crescendo acima dos 20% anuais em 2008 e, em breve, deve atingir a marca de R$ 1 trilhão. No Unibanco, que também controla a Fininvest, a estratégia é oferecer cartão de crédito para os clientes que têm renda mensal entre R$ 500 e R$ 1 mil, o que já resultou em crescimento de 35% no uso dessa linha este ano, segundo o diretor-executivo de crédito e risco para varejo da instituição, Roberto Lamy. "O momento para o risco é muito favorável, com renda crescendo e desemprego diminuindo. Isso tudo faz com que essas pessoas tenham mais crédito", disse.

O empréstimo com desconto em folha de pagamento também tem ajudado a impulsionar o crédito menor. No Banco do Brasil (BB), segundo o gerente-executivo de empréstimo e financiamentos da instituição, Gueigiro Matsuo Genso, até junho essas linhas tinham crescido 11,4% no acumulado do ano, cujo tíquete médio é de R$ 4,5 mil. Nesse caso, diz ele, o risco é praticamente inexistente e, por isso, a tendência é continuar no mesmo ritmo.

O maior potencial recai no consumidor do setor privado, onde o BB tem focado suas ações para fechar convênios. Em junho, 88,1% dos clientes que tinham consignado no banco eram funcionários públicos. Apesar das facilidades para conseguir mais crédito, o consumidor tem de ficar atento.

O vice-presidente da Anefac (associação que reúne os executivos de finanças), Miguel Oliveira, aconselha que se faça uma ampla pesquisa para ver as melhores condições de financiamento, com os juros mais em conta. Mesmo com o recuo nos últimos anos, as taxas cobradas ainda são uma das mais elevadas do mundo, chegando, em média, a 140% ao ano no cheque especial. No crédito pessoal, elas beiram 50% anuais. "O consumidor não pode se iludir, porque corre o risco de se endividar além da sua capacidade", disse.

Para Oliveira, a tendência de crescimento dos empréstimos menores também deve continuar, uma vez que os consumidores das classes C, D e E, em geral, são bons pagadores. "Os bancos vão se voltar cada vez mais para esse segmento, porque o risco (de inadimplência) não é mais elevado. As pessoas de baixa renda, normalmente, sabem que é preciso preservar o nome, pois é o único jeito para consumirem." (Agência O Globo)

Veículos puxam demanda da baixa renda


BRASÍLIA – Além do crescimento dos empréstimos de menor valor, a economia mais robusta também explica a razão da desaceleração das concessões de crédito para as faixas de renda maiores. O motivo é inusitado. No segmento de veículos, por exemplo, a demanda explosiva acabou segurando as concessões de crédito. O diretor-executivo de Crédito e Risco de Varejo do Unibanco, Roberto Lamy, conta que seus financiamentos de carros – normalmente acima de R$ 5 mil – estão estabilizados, porque a procura é tão grande que, muitas vezes, não há entrega imediata do bem. A demora chega a 60 dias.

Assim, a concessão do crédito também fica na fila. “Antes, fazíamos avaliação de crédito com prazo de até 30 dias nesses casos, mas agora estamos fazendo para 60 dias. Muitas vezes, tivemos de refazer as análises (de crédito) porque o prazo estourou”, afirma. Entre janeiro e setembro, para se ter uma idéia, a produção de veículos, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), cresceu 10,6%, para 2,18 milhões de unidades. Os licenciamentos e vendas internas, no entanto, saltaram 27,4% no mesmo período, para 1,74 milhão.

Segundo dados do Banco Central, o saldo dos empréstimos entre R$ 5 mil e R$ 50 mil cresceu 6,5% no trimestre encerrado em setembro. Trata-se do pior desempenho, se comparado às demais faixas analisadas no período, que tiveram expansão de 6,8% (valores de até R$ 5 mil) e de 7,5%, para as operações que movimentaram acima de R$ 50 mil – normalmente usadas no financiamento da casa própria. Na avaliação de Lamy, a situação pode durar mais tempo, porque vai depender das entregas dos bens. Com os prazos mais longos, e as taxas de juros mais acessíveis, acrescenta ele, é natural que os consumidores comprem mais.

Volume total

O volume de crédito total na economia brasileira fechou novembro em R$ 908,8 bilhões, com crescimento de 3,1% no mês e de 26,7%em doze meses. Com isso, a relação do crédito com o Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 34,3% no mês passado, acima dos 33,6% vistos em outubro. Segundo a ótica do controle de capital das instituições financeiras, as operações realizadas pelos bancos privados representaram 15% do PIB no período, informou o BC, enquanto as feitas pelas instituições públicas ficaram em 11,7%e as estrangeiras, em 7,6% no período.

Segundo nota do Banco Central, o crescimento do volume de crédito especificamente sobre as operações de pessoa física ocorreu pela maior procura pelos empréstimos para a aquisição de bens duráveis. (Agência O Globo)

Fonte www.otempo.com.br

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