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A forte disputa no mercado de
crédito consignando tem elevado as taxas de renegociação dos contratos. Em
relatório, a agência de classificação de risco Fitch Ratings diz que essa
prática pode trazer efeitos negativos para o mercado de securitização, por
elevar os riscos dos Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC) de
consignado.
Os fundos são um dos principais veículos dos bancos médios para captar recursos
para esse tipo de empréstimo. Os bancos securitizam os créditos consignados e
vendem cotas desse fundos para investidores.
Segundo o diretor da Fitch, Jayme Bartling, a potencial exposição das cotas dos
FIDCs aos riscos de pré-pagamento, refinanciamento e renegociação são fomentados
por um ambiente de acirrada competição entre os bancos que concedem crédito.
Os índices de refinanciamento de consignado já atingem até 35% do total de
financiamento. A soma dos índices de perda, renegociação, pré-pagamento e
refinanciamento fica próxima a 60% do total originado. "Isso torna pouco
previsível o fluxo de caixa esperado destes créditos", diz.
Isso acontece porque boa parte dos empréstimos consignados é feita por
correspondentes bancários que recebem comissão por novas operações. Ou seja, é
interessante para o correspondente que a pessoa liquide um empréstimo e inicie
outro, explica o analista da Fitch, Bernardo Costa.
Já para o FIDC, essa prática pode aumentar os riscos, pois quando um contrato de
empréstimo é liquidado, o banco tem de descontar o valor dos juros que não serão
pagos, podendo reduzir a rentabilidade do fundo, ou mesmo comprometer o fluxo de
pagamentos do FIDC.
Por enquanto, o potencial impacto destes riscos não é evidente. Isso porque os
bancos que liquidam os empréstimos têm recomprado os créditos cedidos aos fundos
para poder antecipar as receitas. "Mas no futuro isso pode não acontecer", diz
Costa.
Fonte jornal Valor Econômico - Fernando Travaglini
01/01/2008
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