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 Crédito deve atingir 40% do produto interno bruto em 2008

 

"O crédito imobiliário, o financiamento de veículos e o consignado serão as modalidades que deverão puxar o crescimento do crédito no ano que vem, segundo analistas ouvidos pelo DCI. Apesar de projeções da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) estimarem que a carteira total de empréstimos das instituições financeiras subirá 19,9% em 2008, pouco abaixo dos 21,9% esperados para o fim de 2007, instituições como Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Corretora Ágora, Tendências Consultoria e Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), estão bem mais otimistas e esperam avanço de pelo menos 25% na carteira total.

Segundo Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac, o volume total de crédito que até outubro está em R$ 880,8 bilhões, representando 34% do Produto Interno Bruto (PIB), deve passar para 40% do PIB, somando R$ 1,150 trilhão. Para Oliveira, o motor desse crescimento serão as modalidades com garantia. "Com a continuidade da queda dos juros bancários, as instituições financeiras darão preferência às operações que têm garantias, como o financiamento habitacional, o de veículos e o consignado", endossa.

Desde setembro de 2005, a Selic já caiu 8,5 pontos percentuais (queda de 43,04%), para 11,25% em dezembro de 2007. Neste período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma redução de 10,02 pontos percentuais (queda de 7,10%) para 131,10% ao ano em 2007. Essa tendência deve continuar, diz Oliveira, fazendo com que a Selic encerre 2008 em 10% ao ano.

Oliveira lembra ainda que o próximo ano também terá alongamento de prazos. "Hoje já existem bancos oferecendo prazo de 30 anos no crédito imobiliário, como é o caso da Caixa Econômica Federal. Os bancos privados devem fazer o mesmo, assim como no financiamento de veículos, com prazo até 84 anos", diz.

Para Denis Blum, analista da Tendências, o crédito também continuará crescendo nas modalidades de menor risco. "A tendência é ainda de melhora na qualidade do crédito, o que é coerente com o tipo de empréstimo que mais cresce, que é consignado e veículos", lembra.

Motor do crescimento

Na opinião de Aloísio Lemos, da corretora Ágora, o motor do crescimento do crédito será o próprio consumo, que continuará forte no ano que vem. "Crédito direto ao consumidor e cartões de crédito também devem ter grande demanda. Na pessoa física, a onda do crédito imobiliário é a mais aguardada. Na pessoa jurídica, as pequenas e médias empresas continuarão sendo o foco, crescendo na ordem de 40%", completa Lemos.

Ariadne Arnosti, do Inepad, aponta que para o crédito imobiliário ter o impulso previsto pelo mercado seria necessária a aplicação de mais recursos livres na modalidade, não só os direcionados. "Para ter crescimento sustentável, só os recursos da poupança não são suficientes. Os bancos hoje não têm mais dificuldades de cumprir a exigência de destinar 65% dos depósitos em poupança no financiamento à casa própria", diz. "O crescimento da securitização é uma tendência, está caminhando mais devagar, mas é importante para fortalecer o setor". Quanto ao consignado, a analista prevê continuidade de crescimento.

Subprime

Caso se agrave a crise dos mercados mundiais iniciada em julho deste ano, com o crédito de alto risco no setor imobiliário chamado de subprime , pode haver um revisão do cenário de crédito no Brasil. "Mas isso apenas em caso extremo de desaceleração forte da economia global", afirma Arnosti, do Inepad.

Outro ponto positivo para os bancos é a intensificação das atividades de banco de investimento, já que o chamado investmento grade trará mais investidores estrangeiros ao país. "O que intensificará as operações, de fusões e aquisições a IPO (ofertas iniciais de ações, da sigla em inglês)".

Aloísio Lemos, da Ágora, lembra que há bancos que não são considerados grau de investimento em escala internacional e passarão a sê-lo com a chegada da nota.

"Vai tornar o acesso ao crédito mais fácil e a custos mais baratos. Não só para os bancos, como para as empresas em geral", diz. Lemos também vê mais benefícios na medida em que a própria Bolsa de Valores cresce.

Fonte DCI - Luciana Bruno
 

01/01/2008

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