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Os bancos ABN Amro Real,
Cruzeiro do Sul e BMG pretendem expandir suas carteiras de crédito consignado em
2008 ao atrair clientes do setor privado, segmento ainda pouco explorado pelas
instituições financeiras quando se refere à oferta de crédito com desconto em
folha.
Dados do Banco Central mostram que o consignado no setor privado tem crescido
mais que o destinado ao setor público. Em novembro de 2007, o saldo das
operações para funcionários dessas companhias somou R$ 8,1 bilhões, alta de
39,6% sobre mesmo mês de 2006. Enquanto isso, as operações no setor público
tiveram saldo de R$ 55,6 bilhões, crescimento de 34,2%. Para este ano, a
previsão da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e de analistas é de que a
modalidade como um todo cresça 23%, ao saldo de R$ 59,1 bilhões.
Com uma carteira de consignado em R$ 3,5 bilhões, o ABN Amro Real quer se
aproximar das empresas privadas, especialmente aquelas com as quais mantém
contratos de folha de pagamento. A expectativa do banco é de que a carteira de
empréstimos com desconto em folha cresça 30% em 2008. "Pretendemos ampliar os
atuais 5 mil convênios com empresas, entre médias e grandes", explica Eduardo
Jurcevic, superintendente de investimento. "Mas também olhamos para aquelas onde
não temos as folhas, porque o cliente não precisa ser correntista para contratar
o consignado", diz. Segundo ele, o setor privado ainda é pouco explorado. "Nossa
maior dificuldade era entrar nas empresas, pois, muitas delas não permitem a
divulgação de produtos. Outra dificuldade era o temor em relação ao
endividamento do funcionário e, para resolver a questão, damos palestras de
orientação financeira. As companhias estão se abrindo mais". Ele lembra que
fatores macroeconômicos - como a estabilidade econômica, a ampliação da renda e
a maior formalização - tem contribuído para que esse segmento se tornasse mais
interessante para os bancos.
Por oferecer risco maior - já que no setor público o funcionário tem mais
estabilidade - as operações de consignado na iniciativa privada são mais caras.
"No entanto, são mais em conta que crédito pessoal", diz Rafael Durer, sócio da
RDI Consultoria. Ele explica que, enquanto no setor público as taxas variam de
2,5% a 3% ao mês, no privado ficam entre 4% a 5% ao mês.
Fausto Guimarães, superintendente de Relações com Investidores do Cruzeiro do
Sul, especializado em consignado para funcionários públicos e pensionistas do
Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), comenta que o banco pretende
expandir em 2008 o consignado para empresas privadas, projeto que estava em
análise. "Recebemos uma demanda por parte de nossos clientes de middle market
(médias empresas) para criar o produto", diz. O banco prevê crescimento de 15%
na carteira de R$ 2,5 bilhões. Já o BMG, um dos maiores originadores de
consignado do País, anunciou que terá mais atuação no setor privado este ano.
Hoje, só 5% de sua carteira de R$ 10 bilhões é destinada a esses funcionários.
Além da estabilidade no emprego, outro desafio para o consignado nas companhias
é a operacionalização, segundo Durer, da RDI Consultoria. "Ainda é caro oferecer
consignado em uma empresa com menos de 2 mil funcionários", diz. Para ele, a
solução seria softwares mais baratos.
O analista lembra que o consignado deve crescer menos em 2008. "Também haverá
efeitos do aumento da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que
representará alta de 1,6% nas taxas anuais do consignado". Para Rafael
Paschoarelli, professor de Finanças da Universidade de São Paulo (USP), a
estabilidade da economia favorece o consumo, "o que torna o setor privado mais
interessante" .
Apesar de o setor privado ter se tornado foco, Jurcevic, do Real, diz que o
crédito a aposentados e pensionistas continuarão como carro-chefe. Ontem, o INSS
informou que suspendeu empréstimos até que consolide mudanças nas regras, como o
aumento do prazo de 30 para 60 meses e a redução do limite de endividamento de
30% para 20%. As normas serão publicadas na quinta-feira.
Fonte jornal DCI - Luciana Bruno
10/01/2008
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